O livro A cauda longa analisa um fenômeno
econômico que ganhou dimensões maiores com o advento da internet. Chris
Anderson, autor do livro, traz em suas páginas uma reflexão acerca da
distribuição de produtos, em especial os culturais, impulsionada pelo mercado
virtual que é abundante e serve aos mais diversos gostos.
Antes da internet, as relações comerciais
ocorriam em pontos físicos, o que implica em espaço limitado para a oferta de
qualquer bem ou serviço. Dessa forma, a oferta fica restrita apenas ao que
auferir maiores lucros e os produtos que não possibilitassem maiores rendimentos
ficava a margem desse mercado, sendo esquecidos e sucumbidos pelos de alta
popularidade.
No mercado virtual esse quadro muda, pois, o
espaço é abundante. Além do mais, a nível global o que não é tão popular é tão
significativo quanto o popular mesmo não atingindo os altos índices de vendas,
acessos ou downloads há um considerável público consumidor que nesse novo modelo
pode ser alcançado.
O nome cauda-longa surge a partir desse
contexto e o autor atribuí a esse termo todos os produtos de baixa popularidade
e o considera um bom negócio, pois, existe a possibilidade de migrar de status,
como aconteceu com o livro Tocando o
vazio de Joe Simpson.
"Em breve, o software da livraria
online identificou padrões nos comportamentos de compra—"Os leitores que
compravam No ar rarefeito também adquiriam Tocando o vazio"—e começou a
recomendar os dois como par. As pessoas aceitaram a sugestão, demonstraram entusiasmo
pelos livros, escrevera resenhas ainda mais empolgadas — e deflagrou-se um loop
de feedback positivo."
E reconhece que:
"Uma década atrás, os leitores de
Krakauer nunca teriam tomado conhecimento do livro de Simpson — e, se por acaso
soubessem de sua existência, não teriam como encontrá-lo. As livrarias online
mudaram essa situação. Ao combinar espaço infinito nas prateleiras com
informações em tempo real sobre tendências de compra e sobre a opinião de
outros leitores, criaram todo o fenômeno de Tocando o vazio. Resultado: demanda
crescente para um livro obscuro."
Em seguida, vejamos o gráfico que explica a
teoria da cauda-longa apresentada no livro.
O eixo x corresponde a popularidade e o eixo
y corresponde a lista todos os produtos da humanidade. O importante aqui é
perceber que o gráfico se aplica a qualquer segmento cultural (livros, músicas,
filmes e etc.) e que a parte vermelha corresponde ao que chamamos aqui de
cabeça que refere-se aos produtos de alta popularidade, a parte amarela é a
cauda longa onde se encontra uma quantidade ilimitada de produtos que
classificamos como nichos, referente a públicos mais específicos e produtos
especializados.
A cauda longa nunca chegará ao zero e estará sempre
aumentando, pois esse modelo rompe com a antiga estrutura concentrada em poucas
opções culturais e permite a democratização dos meios de produção e distribuição
tornando a oferta e a demanda eficiente. Os produtos mais populares nunca
deixaram de existir, mas “Pela primeira vez na história, os hits e os nichos
estão em igualdade de condições econômicas, ambos não passam de arquivos em
bancos de dados, ambos com iguais custos de carregamento e a mesma rentabilidade.
De repente, a popularidade não mais detém o monopólio da lucratividade.”.
